terça-feira, 2 de agosto de 2016

Abraços

O abraço perpetua tudo
que sentimos em silêncio
ele grita os sentimentos
afaga os batimentos

O abraço aquece, não só o corpo
e não é feito só de braços
tudo se entrelaça, os corações, os olhares
o corpo, até a alma

O abraço perpetua nossas estrelas
que já não tem mais luz
o abraço é abrigo

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Surdez

Escuto passos dentro de mim
são passos daquele amor que saiu
nem ao menos olhou para trás

Escuto choro dentro de mim
são lágrimas doces, doloridas
não contidas, de um amor sem café

Escuto e não enxergo grito
gritos de um amor mudo, que tentou ver
mas por desafeto, descaminhou

Já não há nada mais dentro de mim
há silêncio, melodia dos desa(l)mados.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ser adulto

 Crescer é carregado de uma palavra: responsabilidade. E responsabilidade é a habilidade de ser responsável e o que é ser responsável? Levar coisas nas costas que não queremos, trabalhar com algo que não queremos. Crescer traz angústia. Ser adulto causa angústia. Não adianta igreja, não adianta dinheiro, seremos sempre crescidos e vazios.
 Como ser diferente? Sendo Peter Pan? Não. Mudamos quando crescemos, nos tornamos resilientes e principalmente ranzinzas. É inerente.
 Ser crescido é viver também de aparências, mesmo não querendo viver delas. Quem consegue vira artista, mas adulto e artista é mesmo para aqueles que não querem responsabilidade dizem os adultos frustrados por aí.
 Alguns decidem caminhar, outros andar de bicicleta, outros preferem continuar na caverna. Crescer era a palavra que não queria saber o que era, pois é triste. O que não é? O vento? A poesia? A canção? A harmonia? A dor? As perguntas? O que não é?
 Crescer causa medo. O medo é o futuro, porque passado já aconteceu e podemos contar as lamentações, mas aquele inesperado acontecer deixa o ser adulto amedrontado.
  Antes queria apenas poder atravessar a rua sem que meu pai ou minha mãe segurassem minha mão, hoje só queria poder escolher não atravessar, porém não posso, sou adulto e adultos andam sempre em frente e não chega a lugar nenhum.
    

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vias

Café na xícara, no copo
alma nos corpos
dia aquecendo poesia
pessoas perambulando
entre as vias sem saída

amor pela culatra
céu ensolarado
noite enluarada
corações enlatados

quando acordar nesse novo dia
apague os olhos 
acenda poesia

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Toca o peito

Toca o peito e prediz. Arritmia. Rítmica. É alguma modalidade olímpica? Não. Então não diz. Reflexiva a alma, copiosa a mente, desnecessária a vida. Toca o peito e diz. É infarto. Farto da louça suja, dos copos vazios de álcool, farto estou de ficar aqui. Parou. O coração? Não, era infarto de alma. Não se pode dizer muita coisa, porque tem que reviver. Como? Com um beijo ou um pedaço de barata. barata? Não. Eu escrevi batata. Toca o peito e condiz. Sociedade. Poder. Podre. Temer. Nunca. Nunca Temer, isso deve estar sempre fora! Toca o peito e aceita. O desamor? O desaguar? O desalmado? Não, o fim da garrafa de vinho que me fazia esquecer de mim.

domingo, 17 de julho de 2016

Sempre azedos

São duas vias.
Duas vidas.
Alguns verbetes.
Muitos significados.

São dois copos de água
ardente e sem sal
Sem gelo, sem limão
apenas azedos.

Olho da janela o que Deus diz
É eterno tudo aquilo que fiz
Mas preferi o revés das marés.
As inúmeras heresias.

Escolhas. Estão sempre na sacola.
Vários copos, várias águas,
várias luas,
sempre 
azedos

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Cidade rafaélica

A cidade cala as almas
seus muros de concreto
seus rádios ligados
a alma em perfeito desafeto

os becos escuros
as ruas sem saída
os ambulantes sem vida

na cidade tudonada é permitido

O prefeito, o delegado
mendigo morrendo de frio
em plena madrugada

Cidade cruel, desumana 
será que concede aos seus moradores
segurança?

A poesia escapa dos cachimbos
acessos no meio da escuridão
na praça da Luz

Luz para todos é ilusão
o cachimbo que acende aqui
liga a alma na escuridão

Quadros, lagoas, cinemas
lançamento, livros, novelas
Imagina se a cidade fosse
tudo isso que se fala dela?