dentro é frio
lá fora é quente
dentro é quente
lá fora é frio
frioquentefrioquente
quentefrioquentefrio
cuidado ao por o casaco
cuidado ao tirá-lo
você pode esfriar ou esquentar
seu coração
sábado, 9 de julho de 2016
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Diário de uma insônia
Noite
Insônia
Vira
Remexe
Exemer
Mexemer
Acorda
Já é dia? Não
Já é noite? Não
Sonha
Acorda
Sem sol
Noite
Insônia
Não acaba
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Encaixe
Grito, saio de mim
Nos seus cachos eu me encaixo
Todos estão condicionados,
É tudo quadrado, tudo triangular
Tudo angular
Menos você
Silencio, volto a mim
É em sua alma que me embaraço
Querem ser lisos, duas dimensões
Padronizados
Menos você
Grito, saio, silencio entro
É em tudo que é você
Que me adentro.
sábado, 2 de julho de 2016
Augusto, os anjos do eu
Sobrevivo de pequenos instantes e de coisas pequenas, sobrevivo porque viver é difícil. Quando Drummond escutou o conselho para ser gauche na vida, não tinha noção de como as coisas são, ou, se tinha algum traço impressionista, ele o ignorou.
Pior que sobreviver, é (ou são) as perguntas tão paradoxas que ocorrem em nós. Calma, respirem e pensem, porque escrevo somente sobre mim, o eu, sobre essas coisas? Porque conhecer a nossa individualidade podemos reconhecer nós, por isso Augusto dos Anjos publicou apenas um livro e o intitulou "EU", não porque era arrogante, mas pelo simples fato de todos os versos, sentimentos íntimos e desejos intrínsecos de vida e morte eram dele. Augusto sobrevivia, e eu também. Antes falar de todos esses meus conflitos, que criar um personagem apenas para servir a minha vontade, isso é demoníaco, no mínimo fascista, maquiavélico.
Mas o que não é? O infinito é a peça para descobrirmos que todos somos microcosmos. Ser é pior ainda do que reverberar. Reverberar é marcar e caso não marcamos, não somos seres, somos algo que chegou, deu saudade, mas foi. O foi é questão de dor, e dor é morrer pouco a pouco com a distância, desgasta corações, explode estrelas, faz com que notas musicais morram, eu disse, é um puro sentimento de poder, conclui-se maquiavélico.
Mas o que não é? O infinito é a peça para descobrirmos que todos somos microcosmos. Ser é pior ainda do que reverberar. Reverberar é marcar e caso não marcamos, não somos seres, somos algo que chegou, deu saudade, mas foi. O foi é questão de dor, e dor é morrer pouco a pouco com a distância, desgasta corações, explode estrelas, faz com que notas musicais morram, eu disse, é um puro sentimento de poder, conclui-se maquiavélico.
Queria as vezes que todas essas coisas, todos os verbos e enunciações morressem no limite do limite do limite, onde os olhos não alcançam, porque eu teria que de novo brincar de sobreviver.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Ônibusamante
Entrei, sentei, estendi os pés
liguei a música nos fones de ouvido
as luzes ainda estavam acesas
as pessoas entravam,
ao meu lado tinha vazio.
eis que se passaram alguns minutos
uma linda garota meio perdida
encontrou o número da poltrona
era ao meu lado
Assustei-me um pouco pois começamos a conversar
o ônibus partiu, e a fala permaneceu
as luzes se apagaram, porque era o último do dia
os olhos castanhos meus, que se encontravam com os olhos {esverdeados dela
deram lugar ao escuro, confiávamos no som das palavras
a conversa chamou as mãos que se tocaram
a cabeça inclinou e se apoiou, as mão clamaram o pescoço
os lábios se encontraram timidamente.
Foi assim, um instante, de transeunte, para amante passageiro
no final, lá, após umas três horas, os lábios se encontraram {(novamente)
E o coração diz, agora não, melhor não, conheci você hoje e agora
concordei, afirmando, a vida é feita de instantes bem vividos.
O ônibus chegou ao seu destino final.
liguei a música nos fones de ouvido
as luzes ainda estavam acesas
as pessoas entravam,
ao meu lado tinha vazio.
eis que se passaram alguns minutos
uma linda garota meio perdida
encontrou o número da poltrona
era ao meu lado
Assustei-me um pouco pois começamos a conversar
o ônibus partiu, e a fala permaneceu
as luzes se apagaram, porque era o último do dia
os olhos castanhos meus, que se encontravam com os olhos {esverdeados dela
deram lugar ao escuro, confiávamos no som das palavras
a conversa chamou as mãos que se tocaram
a cabeça inclinou e se apoiou, as mão clamaram o pescoço
os lábios se encontraram timidamente.
Foi assim, um instante, de transeunte, para amante passageiro
no final, lá, após umas três horas, os lábios se encontraram {(novamente)
E o coração diz, agora não, melhor não, conheci você hoje e agora
concordei, afirmando, a vida é feita de instantes bem vividos.
O ônibus chegou ao seu destino final.
domingo, 26 de junho de 2016
Tantas Galáxias
Tem vários tipos, e tem várias coisas, e vários alienígenas e várias outras milhares de galáxias, mas eu em quase todos os instantes da minha ligeira vida penso em você. Nossa, clichê de menino apaixonado, shakespeariano, muito provavelmente, mas pode ter certeza de que cada estrela que há no céu te guia, pois peço ao Universo que te proteja.
Amar num mundo de tanta rapidez é como se afogar, não consigo compreender ainda como é possível tantos amores na mesma velocidade, tantos ritmos numa mesma música, tantos sentimentos numa frase só. Foi tudo em vão. E as coisas parecem assim, quando elas simplesmente vão, não sou feito de concreto, mas quando se trata de amor queria ser, pois ele permanece.
Parece que tudo corre num erro abusivo, fico apenas observando, como dizia Quintana moro dentro de mim, e fica difícil sair, ver o mundo, sentir. Acabou. Mesmo que eu peça as estrelas te protegerem, você se foi, eu, estou aqui, agora, chorando pequenas doses de lágrimas, subvertendo amor em não amor, comendo minha galáxia interior.
Dizem que tudo passa. Passar de amor em tristeza e dela alegria nem sempre é verdade. Mesmo sendo assim, forte, sofrido, vou pedir as estrelas para que te proteja. Só queria poder morrer uma última vez em seus braços.
Parece que tudo corre num erro abusivo, fico apenas observando, como dizia Quintana moro dentro de mim, e fica difícil sair, ver o mundo, sentir. Acabou. Mesmo que eu peça as estrelas te protegerem, você se foi, eu, estou aqui, agora, chorando pequenas doses de lágrimas, subvertendo amor em não amor, comendo minha galáxia interior.
Dizem que tudo passa. Passar de amor em tristeza e dela alegria nem sempre é verdade. Mesmo sendo assim, forte, sofrido, vou pedir as estrelas para que te proteja. Só queria poder morrer uma última vez em seus braços.
sábado, 11 de junho de 2016
Sumiço
SUMI
e ninguém percebeu
foram se apagando as memórias
os sorrisos e os ventos
SAI
e ninguém percebeu
o canto faleceu, a poesia postergou
as fotos, desbotadas
SUMI
até que alguém percebeu
mas eu não estava mais lá
estava em outro lugar
UM DIA
perguntaram de mim
disseram: Ele sumiu
E, POR AÍ
ficava a remoer versos
de descontentamento com o anonimato
e ninguém percebeu
foram se apagando as memórias
os sorrisos e os ventos
SAI
e ninguém percebeu
o canto faleceu, a poesia postergou
as fotos, desbotadas
SUMI
até que alguém percebeu
mas eu não estava mais lá
estava em outro lugar
UM DIA
perguntaram de mim
disseram: Ele sumiu
E, POR AÍ
ficava a remoer versos
de descontentamento com o anonimato
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