Barulho de água
abrem-se as latas, cheiro de carne
não é verde, as nuvens brancas num céu cinza
refletem e se referem a um dia qualquer
mira os corações, tomamos nota
refeição da noite para simplesmente comemorar o presente momento de desgraça
sai e observa
as palavras sem rimas que viraram larvas
saudoso seja, aquele que roerá minhas frias carnes, literalmente
minhas carnes frias já estão completamente corroídas em cada verso
e quiçá nem completo esse
já que não me resta o resto da evidência
que comprova e não aprova todos os selfies
e desventuras em série de um amor incompleto
sábado, 14 de janeiro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Poema sem eira nem beira
estou sem beira, nem eira
e nem queira saber onde estou
melancolia pula no cérebro cinza
que entende em forma de lágrima
ataque no miocárdio, apenas consequência
não morre ninguém, na verdade
pula o muro da caixa toráxica e caiu no chão da solidão
e vira poesia da mão que apenas escreve
"Queria"
mas a beira da eira já não quer queria
quer o amor insípido e todo completo
não existe verso tão certo, como a palavra incerta
viver o amor completo.
Espero, e quando o tempo acaba, vejo a completude
do amor: não existem limites.
e nem queira saber onde estou
melancolia pula no cérebro cinza
que entende em forma de lágrima
ataque no miocárdio, apenas consequência
não morre ninguém, na verdade
pula o muro da caixa toráxica e caiu no chão da solidão
e vira poesia da mão que apenas escreve
"Queria"
mas a beira da eira já não quer queria
quer o amor insípido e todo completo
não existe verso tão certo, como a palavra incerta
viver o amor completo.
Espero, e quando o tempo acaba, vejo a completude
do amor: não existem limites.
domingo, 8 de janeiro de 2017
Nuvens
O vazio que sinto ao escrever essas palavras demonstra minha incredulidade e provavelmente minha não vontade em dizer. O porquê disso tudo? Simples o fato, quando se espera demais, morre demais. Era para ser por mais tempo, para conhecer melhor o coração, a alma, os traços em aquarela da vida do outro. Um erro, uma palavra, e acabou, eu não sou meu passado, porém a revisitou-me e perdi o presente.
Sobreviver a rejeição presente é como observar as estrelas e não poder enxergar de perto por estarem a quilômetros de distância, é algo concreto. Sobre viver a rejeição passada não é um fato, não, é algo que nem passaria pela minha cabeça, se não me afogasse em mim.
Lembro de algumas palavras ainda
- Podemos, vamos
- Não consigo, talvez a dor só seja bonita na poesia
E então desisti. A rejeição, o não, o vazio, o silêncio, a solidão, até mesmo a falta de café, são instantes que acontecem com a gente, que acontecem comigo. E felizmente para vocês, quiçá tenha ocorrido sempre.
Vesti uma roupa, peguei um ônibus que viajaria mais de quatrocentos quilômetros. Durante a odisseia do homem comum, uma criança de cabelo loiro, aparentava uns cinco anos - acompanhado de uma mãe um tanto desinteressada - ficou gritando dentro daquela caixinha o percurso inteiro. A raiva subiu, não somente em mim, mas em todos, o que falar? Nada, a questão era uma só, esperar.
Em meio a tanto barulho, houve um momento em que ocorreu a paz. Chovia na estrada, uma chuva forte e que depois transformou-se em bonança e olhei para a janela e percebi algo que nunca tinha visto, as nuvens nos imitam.
Parece meio boba a informação, mas é algo que transcende nossas capacidades. Do ônibus percebi como uma família se formava no céu, ou um crime acontecia, vi animais, sangue, árvores, floresta, deus, monstros do lago, e nisso tudo vi vazio. As nuvens nos imitam, pois são só, é um corpo só, num grande espaço que é o céu, e são permeadas pelo vácuo, a única forma de sentir que é algo, é imitando quem está sempre com elas, nós, humanos.
Com o que sentia, desci no meu destino, e fiquei ali, observando as nuvens, vendo o quanto são parecidas comigo, sozinhas quase sempre.
sábado, 31 de dezembro de 2016
Fim.
O fim
m
i
f
de frente para trás
de trás para frente
não tem coisa ruim com ele
pois sempre chega
Mesmo que demore anos
mesmo que demore séculos
chega.
ora para erguer a cabeça e dizer: vamos, de novo
ora para simplesmente acabar
e os transeuntes continuar suas vidas
e ter apenas o retrato como lembrança
fim não é só ponto, é vírgula também
é continuidade, é lembrança
é dos fins que se faz história.
m
i
f
de frente para trás
de trás para frente
não tem coisa ruim com ele
pois sempre chega
Mesmo que demore anos
mesmo que demore séculos
chega.
ora para erguer a cabeça e dizer: vamos, de novo
ora para simplesmente acabar
e os transeuntes continuar suas vidas
e ter apenas o retrato como lembrança
fim não é só ponto, é vírgula também
é continuidade, é lembrança
é dos fins que se faz história.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Ode
Ode ao ódio que consome
Aos pobres que não sabem
Aos ricos esnobes
Ao céu escuro
Ode a fome, aos embriagados
Ode ao teatro, ode a todos os sotaques
Ode ao poema que não sabe o porque de ser escrito
Ode ao poeta, ao fingidor
Aquele que prefere as correntes
De um doentio amor, as benesses
Da liberdade
Ode a tristeza, criadoras de mundo
De universos paralelos entremeados
De pedras no caminho
Como Carlos Drummond de Andrade
Ode ao fim e a psiqué
Que de psicodélico só os
Políticos de uma terra inerte
Ode as vírgulas aos pontos
As proparoxítonas, e aquela
Palavra grande que hoje faz tanto sentido
Inconstitucionalissimamente
Ode as estrelas e a Camões
A Guimarães e a Joyce
Que nunca li, mas seu Ulisses
O mais famoso
Ode a tudo o que for ode
A tudo que for ódio
A tudo que se perder
Nas horas do relógio
sábado, 12 de novembro de 2016
Tratado sobre a tristeza
O que é tristeza? É o fundo da alma, o plano do espírito, a quietude do tempo. Tristeza é o universo em andamento, a brisa do vento, a despedida, a dor, a ausência, aquilo que foi e não volta. Tristeza é a perca, a bondade, a maldade. Tristeza é a origem e o fim, o começo da oração e o silêncio da resposta, é o amor longe. Ah! Como sofremos de lonjuras! Tristeza é tudo o que falta, mas também transborda. Observe as estrelas, tantas, e mesmo assim há espaço entre elas.
É apressado o jeito que se toma café e a calmaria que se degusta o chá, tristeza é isso, o amargo e o doce, a pressa e a calma. É caos, porém paz, é conforto e desconforto, ódio, raiva. Tristeza mata! Quiçá seja essa sua única beleza, matar almas e corações. Como mata? Com desamor, ausência, ignorância.
Sempre existe a fuga. São esses pequenos momentos temporais que chamamos felicidade. De tudo o que é, é a mais rápida. Sempre passa. Felicidade é quando não há mais espaços entre dois corações ou mais, quando o choro vertido provém de uma risada, quando o beijo cala a saudade que grita na alma, quando há encontros. Tais momentos são efêmeros, como o vento leva a chuva e sempre voltamos ao mesmo estágio, na mesma certeza, na mesma essência, a tristeza de uma realidade vazia.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
podia
Podia ser flor, mas sou caos
podia morrer, mas me fiz de vida
podia ser estrela, mas sou pó
podia ser mais um pouco todo dia
mas não quero.
Podia e não podia
mas, não iria, escrever um dia
sem podia, sem iria
sem a incerteza da travessia
e por onde passaremos? pelo fio da navalha?
pela dificuldade de ser, pelo vermelho do sangue?
ou, o que haveria de esperar a não ser ausência?
Podia ser paz, mas sou guerra
Queria não poder, não queria mais o mas
bem que a espera não poderia trazer vazio.
Eu podia, mas a contradição não me deixa.
podia morrer, mas me fiz de vida
podia ser estrela, mas sou pó
podia ser mais um pouco todo dia
mas não quero.
Podia e não podia
mas, não iria, escrever um dia
sem podia, sem iria
sem a incerteza da travessia
e por onde passaremos? pelo fio da navalha?
pela dificuldade de ser, pelo vermelho do sangue?
ou, o que haveria de esperar a não ser ausência?
Podia ser paz, mas sou guerra
Queria não poder, não queria mais o mas
bem que a espera não poderia trazer vazio.
Eu podia, mas a contradição não me deixa.
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