sexta-feira, 12 de maio de 2017

roma

Ah! o mar, eu nunca o vi
já amar, molhei meus pés
e quase afoguei

são gotas, pingando,
café com leite
e pão na chapa
no meio da avenida paulista

parado, movimentado
como os segundos
correm, eu saio, luto
não quero amar

só que ele é como Roma
grandioso, o amor 
tenho que lutar no grande coliseu
e sempre, perco

como amar sem resposta?
não se sabe ainda,
apenas se ama
sem aposta

 

 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Teologia da Improsperidade

Êxtase, clamor, mãos levantadas
gritos, o anjo está torto!
Passará Deus nas maquininhas?

Doem os corações
Tirem a bênção do bolso irmão 

Pode ser no boleto
a vista ou parcelado
mesmo que você não tenha
arranje, sacrifique
Ele está esperando

- Volte a pé para casa!
- Ele quer seu carro, você não tem fé?
- É miserável porque não ajuda na obra

- VAI! 
Dê e as demais coisas serão acrescentadas - disseram
Resultado? A gente já sabe
Pessoas delirando no vazio,
miseráveis de espírito e sem Deus

Ele não tem boleto, cor, amuleto
não quer dinheiro, casa, carro
não quer templos grandiosos
gritos miraculosos
espetáculos luminosos

O que Ele quer é coração, oração
confiança, certeza, inspiração
Ele não está guardado em paredes, eventos, cartazes
Ele está nos necessitados, na natureza,
nos inválidos, nos que são desgarrados

Está na música e não em código de barras
está nos poemas e não em revistas 
que o vendem como produto de primeira linha

Rendem-se a sua simplicidade
sinta ele no vento
no sorriso das pessoas
independente de cor, sexo, raça, religião

Apregoemos o amor dele ao mundo
gritemos e ajudemos os que necessitam
sem olhar a quem, sem excluir ninguém
sem vender ninguém

Apenas tirem os acentos do AMÉM

AMEM.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

atividade da criatura

Criatividade 
Atividade 
Da criatura 
Atura 
Atira 
Cria e atura 
Ata a doença 
A chaga 
Toma chá 
Com a tia 
Árida, seca 
De Áries?
 Talvez, quiçá 
Cabeça, crânio 
Plaqueta 
Estancou? 
Morreu? 
Não sei se viveu 
José, e agora ?
Poesia ou escola ?
- Poesia
Esclareceu ele 
Em tom de deboche 
Mas quem liga
Hj ta tudo muito caro
É caro, até escrever hoje 
Se economiza nas palavra 
Conversa 
Vira cvs, que se rearranjar 
Vira vcs 
Que doido não 
Essa atividade 
Da criatura
De criar

sábado, 6 de maio de 2017

girassol

Apaixonei-me pelos seus girassóis 
e encarno em outro corpo meus desejos
e eu não sou seu sol
embora queria ter sido

a dor de ver você indo embora pouco a pouco
é pouco para mim, que guardo no retrato
de um instante congelado, momentos de nossa sincronia

o incenso dá voz para o corpo, só não há corpo
nem incenso, apenas corpo e voz
do meu e do seu, que torna e entorna numa taça em nós

ata e desata, maltrata a alma, que espera 
e o relógio conta as horas, e ora, nem chega
a nenhuma ideia de amor

amar e amar, sem desandar a massa de nosso coração
é complicado e diversificado tanto
que só de ver versificando o mundo 
fico na dúvida se quero ser amado

sou apaixonado pelo seus girassóis
risos, fonéticas, enfim, todas as suas idiossincrasias
só que no fim, vai ser aquela coisa
cheguei, fiquei e parti

perdi seus girassóis

o furacão e a borboleta

Não sei quantas vidas me sobram 
e quanta metafísica há em mim
se é que existo ainda, 
se não sou um pedaço de vento

é clichê, clichê, e clichê
falar de tudo e de nada, de poesia, de ritmo
o coração bate e dessaruma a alma
floresce e cresce e por fim sempre morre
e morre
morre

ficamos a ver os navios, porém, o oceano secou
e a vida transformou em luz e a luz em estrelas
e as estrelas em galáxias transcendentes que fazem brotar
dimensões para uma subrealidade

não quero estar lá, 
e estou
não quero ser
e estou sendo
a realidade está de mãos dadas
e eu, de metáforas, e linhas
paralelas e planas não encontram-se no espaço
e desencontram-se no horizonte

é tudo um caos dentro de mim
e não reside paz, 
só que é de caos feita a vida
e de ordem é dada a morte

o mundo é borboleta
e eu o furacão
que não sabe para onde ir


 

 

domingo, 2 de abril de 2017

Eu queria que fosse

Eu queria que minha amnésia fosse de você
amor destemperado e efêmero

Eu queria que minha fome fosse de você
acalanto sem canto, amor desatencioso

Eu queria que eu fosse somente seu
carinho de muitos, e pouco de eu 

Eu queria que fosse a completude
seres incompletos, amor maldito

Eu queria, eu queria tanto querer você
amor, ou posso chamar de razão?

Eu queria que você fosse minha filosofia
amor desesperado e com fim.

domingo, 12 de março de 2017

decoro

Decoro palavras
sem decoro
e em coro, faço do silêncio
dos esquecidos
um grito!

Grito que emerge,
de um buraco profundo sem verbo
com vilania descarada
medo, antipatia, desmerecimento

o clima é de chuva
e a máscara é de ferro
não cai, mas machuca
talvez enferruje se o coração
for de lata, porque se for de carne
apodrece e não dilata

onde está o decoro poeta?
está no olho da transição intransponível da palavra surda
seja lá o que isso signifique
decoro é para quem tem ordem para a poesia
agora para quem vive dela
poesia é vida!