Eu cansei de mim mesmo
daqueles detalhes rotineiros da minha face
dos cabelos ora para cá, ora para lá
e dos sonhos, quase impossíveis
Olhem só as olheiras, guardam tristezas e dores
fotografam silêncios e cores,
inquietações dos múltiplos sinais do fracasso
diluídos em clichês verbalísticos
é de lá para cá, de cá para lá, tic tac
relógio vem e vem, vai e não vem
e faz, e dorme, e esquece de sonhar
porque cansou de se iludir
é por isso que vivo minúsculo
porquê é muito difícil ser forte
é por isso que canso, pois é difícil prosseguir
é por isso que choro, porquê não consigo conter a lágrima da dor
é por isso que canso de mim mesmo
sábado, 24 de novembro de 2018
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
t o r t a s l i n h a s
Principio
e fim, morte e vida, contrários em mim, versados sobre papéis, canções
formadas, mil e uma utilidades para palavras inventadas todos os dias em que a
busca do sentido esvai-se no redemoinho de pedacinhos tão, tão dantescos que o “e
se” perde sentido.
Sentido
é o que alguém procura. Quiçá seja eu, ou você, que lê esse texto, ou mesmo, um
ser que transcende a realidade. Mas, o que temos que deixar bem explanado é que
o plano dessa existência é tão amorfo, quanto macrotransformado.
É
tudo líquido, diz por aí nosso amigo Bauman. É tudo, sem sentido. Porque
sentido vem de sentir que está indo para algum lugar, em que sentir é concordar
com corações. É tanta discórdia, que meu coração não consegue se achegar a
nenhum outro mais. Tentei fazer poesia para quem eu achava que amava e saiu
versos meio tortos.
Trepida
sobre o vento
seus
cabelos enquanto meus olhos
percebem
teus encantos
Bobagem
de gente que ainda ingere sólido. Dizem que quem se deixa levar a vida é mais
emocionante. É assim mesmo. Para que preocupar-se? Para que encontrar-se? Para
que escrever e sentir. Deixa a vida fluir.
Esses
filósofos deveriam ser todos tão, tão, tão, nem consigo explicar. Sentir é para
os fortes, procurar propósito e entender que podemos seguir é a base de se
moldar todos os dias.
Tudo
muda, dizia Heráclito, e ele está certo. Somos feitos de renovo. Só não
encontra o próprio eu quem não deseja remoldurar-se em sentido. E por fim, num
ciclo, recaminhamos, na marcha dos que são descontroladamente perversos
poéticos.
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
trejeitos
são tantas emoções
que meu peito é como se fosse
um país do oriente
movido pelas moções
dos ventos que correm nos dias da primavera
das pessoas despidas em plena praça num verão
hoje, aqui, presente, está o tempo
o céu, a vida, as parcas estrelas
e uma lua que observa o desfazer do amor
e aí, se reconstrói, na base daquilo que não vejo
nos olhos que correm do meu para o seu
dos lábios que se desejam
o corpo que goza
no picadeiro do circo da vida
são tantas as saudades costuradas
cicatrizadas, são tantas
que me perco nos detalhes dos seus
trejeitos
que meu peito é como se fosse
um país do oriente
movido pelas moções
dos ventos que correm nos dias da primavera
das pessoas despidas em plena praça num verão
hoje, aqui, presente, está o tempo
o céu, a vida, as parcas estrelas
e uma lua que observa o desfazer do amor
e aí, se reconstrói, na base daquilo que não vejo
nos olhos que correm do meu para o seu
dos lábios que se desejam
o corpo que goza
no picadeiro do circo da vida
são tantas as saudades costuradas
cicatrizadas, são tantas
que me perco nos detalhes dos seus
trejeitos
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
esquecimentos sutis, lembranças anônimas
A tua beleza chegou num impasse
entre o passo e o tempo
do relance que nunca tinha visto
pena que quiçá, palavras minhas
não se tornarão palavras em sua boca
Será? a pergunta que faço
Será que olharás a mim?
e se sim, me refaço
Vejo-lhe a silhueta, devolve o olhar que eu não vejo
No fim, eu, Proust e as madelaines
perdidos no tempo, esquecendo os detalhes
Porém, do outro lado do tempo
tua beleza desconhecida preenche
novamente o meu amor.
entre o passo e o tempo
do relance que nunca tinha visto
pena que quiçá, palavras minhas
não se tornarão palavras em sua boca
Será? a pergunta que faço
Será que olharás a mim?
e se sim, me refaço
Vejo-lhe a silhueta, devolve o olhar que eu não vejo
No fim, eu, Proust e as madelaines
perdidos no tempo, esquecendo os detalhes
Porém, do outro lado do tempo
tua beleza desconhecida preenche
novamente o meu amor.
sábado, 9 de setembro de 2017
fissura
o que escrevo agora é a fissura
aquela que me abre no meio
e aquela que jorra do meu intrínseco ser
desonra, glória, luta
é como se o agora fosse tudo
e o depois mais tudo ainda
futuro, futuro, futuro, quiçá
lá, em outros séculos
colonizemos outros mundos
esquecem, ora pois, do
futuro pretérito, que ora acontece
ora aconteceu, ora acontecerá
é dessa fissura do momento
da memória, dos tempos
de Deus que me borro em verbos
tão, tão salientes
será? é a indagação do que inverso
deveria versar.
é a fissura dos tempos perdidos
De almas abatidas, amores sofridos
sem lembrança de que
o tempo é o médico dos desvalidos.
sábado, 26 de agosto de 2017
face a face
É noite de um dia que perdi as contas
pensei em números, cafés, cantigas
e só vinha na minha mente, desespero confusão, intrigas e mal ditas palavras
café, papel em branco, tela em branco um azul aqui, outro ali,
um desaponto de tempo aqui outro ali, tudo indo, nada vindo
cada dia mais face, mas sem ver a face do outro
água gelada rotulada: Fonte de Algum Lugar
será de lá, a fonte da vida? poeira, espírito, sopro, de
caimento dimensional de hipopótamos machadianos temporais
cortei a vida, e versifico os momentos de nada nada é nada,
tudo é tudo e por assim, a vida se improvisa se visa o nosso bem,
eu não sei mas como dizia minha
vô cenoura faz bem pra vista!
pensei em números, cafés, cantigas
e só vinha na minha mente, desespero confusão, intrigas e mal ditas palavras
café, papel em branco, tela em branco um azul aqui, outro ali,
um desaponto de tempo aqui outro ali, tudo indo, nada vindo
cada dia mais face, mas sem ver a face do outro
água gelada rotulada: Fonte de Algum Lugar
será de lá, a fonte da vida? poeira, espírito, sopro, de
caimento dimensional de hipopótamos machadianos temporais
cortei a vida, e versifico os momentos de nada nada é nada,
tudo é tudo e por assim, a vida se improvisa se visa o nosso bem,
eu não sei mas como dizia minha
vô cenoura faz bem pra vista!
segunda-feira, 19 de junho de 2017
numa fogueira de são joão
é, é, o mundo está encarcerado em desamor
enquanto afogo-me em incertezas
o beijo é perdido por entre chamas, labaredas
das festas de São João que não ocorrem
em noites amenas, mas frias
para que o coração aproxime-se do outro
é, é, aparece tanto desamor por aí
que nem sei mais o que é o amor,
agora, no instante da partida,
no cume do vento, significa ir e não voltar
tropecei por sobre umas palavras
eram sorrisos, abraços, braços, poesia
mas não era para mim.
Acredito que o amor seja para todos
menos para o poeta.
enquanto afogo-me em incertezas
o beijo é perdido por entre chamas, labaredas
das festas de São João que não ocorrem
em noites amenas, mas frias
para que o coração aproxime-se do outro
é, é, aparece tanto desamor por aí
que nem sei mais o que é o amor,
agora, no instante da partida,
no cume do vento, significa ir e não voltar
tropecei por sobre umas palavras
eram sorrisos, abraços, braços, poesia
mas não era para mim.
Acredito que o amor seja para todos
menos para o poeta.
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