acordei, não abri os olhos.
passou uns minutos, abri os olhos.
olhos fecharam, abri o corpo.
corpo fechou, aí levantei.
lavei o rosto com os olhos fechados, o corpo aberto
e a mente toda inerte
fui a cozinha preparar café.
fervi alma, coei corações
e sorvi desgosto.
aí, já estava de olhos abertos, de corpo fechado
e a mente fluida.
percebi que não tinha aberto as janelas
era escuro, espelho dos meus inversos
escancarei as janelas e entrou luz
e olhei o horizonte todo líquido,
colorido, e cheirando a merda.
fechei a janela, parei minha mente,
encostei o corpo, sorri.
existia uma flor na beirada da pia
e ela não estava lá, existia
e agora, no plano da consciência não existe
só me restava sentar. sentei.
lembrei, ou tentei
puxar das linhas da ausência
o amor.
por fim, percebi, o tempo diluir
tudo o que é sólido
e perdi, o que mais me mantinha vivo
amar.
Ah! o mar, eu nunca o vi
já amar, molhei meus pés
e quase afoguei
são gotas, pingando,
café com leite
e pão na chapa
no meio da avenida paulista
parado, movimentado
como os segundos
correm, eu saio, luto
não quero amar
só que ele é como Roma
grandioso, o amor
tenho que lutar no grande coliseu
e sempre, perco
como amar sem resposta?
não se sabe ainda,
apenas se ama
sem aposta
Êxtase, clamor, mãos levantadas
gritos, o anjo está torto!
Passará Deus nas maquininhas?
Doem os corações
Tirem a bênção do bolso irmão
Pode ser no boleto
a vista ou parcelado
mesmo que você não tenha
arranje, sacrifique
Ele está esperando
- Volte a pé para casa!
- Ele quer seu carro, você não tem fé?
- É miserável porque não ajuda na obra
- VAI!
Dê e as demais coisas serão acrescentadas - disseram
Resultado? A gente já sabe
Pessoas delirando no vazio,
miseráveis de espírito e sem Deus
Ele não tem boleto, cor, amuleto
não quer dinheiro, casa, carro
não quer templos grandiosos
gritos miraculosos
espetáculos luminosos
O que Ele quer é coração, oração
confiança, certeza, inspiração
Ele não está guardado em paredes, eventos, cartazes
Ele está nos necessitados, na natureza,
nos inválidos, nos que são desgarrados
Está na música e não em código de barras
está nos poemas e não em revistas
que o vendem como produto de primeira linha
Rendem-se a sua simplicidade
sinta ele no vento
no sorriso das pessoas
independente de cor, sexo, raça, religião
Apregoemos o amor dele ao mundo
gritemos e ajudemos os que necessitam
sem olhar a quem, sem excluir ninguém
sem vender ninguém
Apenas tirem os acentos do AMÉM
e
AMEM.
Criatividade
Atividade
Da criatura
Atura
Atira
Cria e atura
Ata a doença
A chaga
Toma chá
Com a tia
Árida, seca
De Áries?
Talvez, quiçá
Cabeça, crânio
Plaqueta
Estancou?
Morreu?
Não sei se viveu
José, e agora ?
Poesia ou escola ?
- Poesia
Esclareceu ele
Em tom de deboche
Mas quem liga
Hj ta tudo muito caro
É caro, até escrever hoje
Se economiza nas palavra
Conversa
Vira cvs, que se rearranjar
Vira vcs
Que doido não
Essa atividade
Da criatura
De criar
Apaixonei-me pelos seus girassóis
e encarno em outro corpo meus desejos
e eu não sou seu sol
embora queria ter sido
a dor de ver você indo embora pouco a pouco
é pouco para mim, que guardo no retrato
de um instante congelado, momentos de nossa sincronia
o incenso dá voz para o corpo, só não há corpo
nem incenso, apenas corpo e voz
do meu e do seu, que torna e entorna numa taça em nós
ata e desata, maltrata a alma, que espera
e o relógio conta as horas, e ora, nem chega
a nenhuma ideia de amor
amar e amar, sem desandar a massa de nosso coração
é complicado e diversificado tanto
que só de ver versificando o mundo
fico na dúvida se quero ser amado
sou apaixonado pelo seus girassóis
risos, fonéticas, enfim, todas as suas idiossincrasias
só que no fim, vai ser aquela coisa
cheguei, fiquei e parti
perdi seus girassóis
Não sei quantas vidas me sobram
e quanta metafísica há em mim
se é que existo ainda,
se não sou um pedaço de vento
é clichê, clichê, e clichê
falar de tudo e de nada, de poesia, de ritmo
o coração bate e dessaruma a alma
floresce e cresce e por fim sempre morre
e morre
morre
ficamos a ver os navios, porém, o oceano secou
e a vida transformou em luz e a luz em estrelas
e as estrelas em galáxias transcendentes que fazem brotar
dimensões para uma subrealidade
não quero estar lá,
e estou
não quero ser
e estou sendo
a realidade está de mãos dadas
e eu, de metáforas, e linhas
paralelas e planas não encontram-se no espaço
e desencontram-se no horizonte
é tudo um caos dentro de mim
e não reside paz,
só que é de caos feita a vida
e de ordem é dada a morte
o mundo é borboleta
e eu o furacão
que não sabe para onde ir
Eu queria que minha amnésia fosse de você
amor destemperado e efêmero
Eu queria que minha fome fosse de você
acalanto sem canto, amor desatencioso
Eu queria que eu fosse somente seu
carinho de muitos, e pouco de eu
Eu queria que fosse a completude
seres incompletos, amor maldito
Eu queria, eu queria tanto querer você
amor, ou posso chamar de razão?
Eu queria que você fosse minha filosofia
amor desesperado e com fim.