É noite de um dia que perdi as contas
pensei em números, cafés, cantigas
e só vinha na minha mente, desespero
confusão, intrigas e mal ditas palavras
café, papel em branco, tela em branco
um azul aqui, outro ali,
um desaponto de tempo aqui
outro ali, tudo indo, nada vindo
cada dia mais face, mas sem ver a face do outro
água gelada rotulada: Fonte de Algum Lugar
será de lá, a fonte da vida?
poeira, espírito, sopro, de
caimento dimensional
de hipopótamos machadianos temporais
cortei a vida, e versifico os momentos de nada
nada é nada,
tudo é tudo
e por assim, a vida se improvisa
se visa o nosso bem,
eu não sei
mas como dizia minha
vô
cenoura faz bem pra vista!
sábado, 26 de agosto de 2017
segunda-feira, 19 de junho de 2017
numa fogueira de são joão
é, é, o mundo está encarcerado em desamor
enquanto afogo-me em incertezas
o beijo é perdido por entre chamas, labaredas
das festas de São João que não ocorrem
em noites amenas, mas frias
para que o coração aproxime-se do outro
é, é, aparece tanto desamor por aí
que nem sei mais o que é o amor,
agora, no instante da partida,
no cume do vento, significa ir e não voltar
tropecei por sobre umas palavras
eram sorrisos, abraços, braços, poesia
mas não era para mim.
Acredito que o amor seja para todos
menos para o poeta.
enquanto afogo-me em incertezas
o beijo é perdido por entre chamas, labaredas
das festas de São João que não ocorrem
em noites amenas, mas frias
para que o coração aproxime-se do outro
é, é, aparece tanto desamor por aí
que nem sei mais o que é o amor,
agora, no instante da partida,
no cume do vento, significa ir e não voltar
tropecei por sobre umas palavras
eram sorrisos, abraços, braços, poesia
mas não era para mim.
Acredito que o amor seja para todos
menos para o poeta.
domingo, 11 de junho de 2017
o dia em que o poeta parou de versar
O poeta decidiu parar de versar
Foi num dia qualquer
Num dia cinza de quaisquer
Parecia brincar com as flores
Mas, sem o bem, só o mal me quer
Ele cansou. Cansou de versar
Sua alma estava sem combustível
Não sabia mais como agir
Ele tudo dava e quase nada recebia
E se recebesse
Era sempre o vazio
Não que o poeta esperasse algo
É que ele esperava ansiosamente
Por alguém que transversasse o
Que ele versava: "que amasse amor que tinha"
Por isso decidiu parar de versar
Pois versar é conversar é estar
E quando já não há motivos para esperançar, não tem porque
Legendar sentimentos em
Estrofes
O verso finda no ponto
E o poeta se afunda no poço
Daquilo que poderia ser algo
E não foi.
Foi num dia qualquer
Num dia cinza de quaisquer
Parecia brincar com as flores
Mas, sem o bem, só o mal me quer
Ele cansou. Cansou de versar
Sua alma estava sem combustível
Não sabia mais como agir
Ele tudo dava e quase nada recebia
E se recebesse
Era sempre o vazio
Não que o poeta esperasse algo
É que ele esperava ansiosamente
Por alguém que transversasse o
Que ele versava: "que amasse amor que tinha"
Por isso decidiu parar de versar
Pois versar é conversar é estar
E quando já não há motivos para esperançar, não tem porque
Legendar sentimentos em
Estrofes
O verso finda no ponto
E o poeta se afunda no poço
Daquilo que poderia ser algo
E não foi.
sexta-feira, 26 de maio de 2017
sem nome, mas no jardim
Eu preciso de um amor
Um amor que me ame
E ame o amor que eu tenho
Não preciso de um amor de mensagens
de ligações
De formidáveis presentes
Preciso de um amor presente
Pode não ser todos os dias
Nem todas as horas
Mas um amor da qual
O pensamento fique
E quando há encontro
Os beijos se traduzem
Não preciso de um amor
que venha de roma,
Que brote do nada,
Nem daqueles romances mirabolantes
Preciso de um amor que goste de ficar
Que brote poesia
Que saia do chão
E viva comigo todos os universos
E escreva versos de vento
Que faz eu perder o centro
Preciso, porque falta em mim
Aquilo que eu transbordo
Ausência.
Posso ser feliz comigo,
E sou, posso sorrir por aí sozinho
E sorrio
Só que sem a quem ter motivo
Do riso e da felicidade
Sinto perdido em mim
Preciso de um amor saudoso de mim mesmo
Porque assim, posso ser completo em nós
Preciso ser dois
Pois minha alma suplica
Por versos únicos.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Purê
Ela não descascou as batatas
mas colocou na panela
encheu até a metade de água,
esqueceu do sal
acendeu o fogo e esperou.
Ele, ligou a TV num dia de feriado
sentou no seu colchonete
que imitava um sofá e perdeu-se por uns minutos,
lembrou, foi lavar a louça.
Ela olhou atentamente a janela
as nuvens tinham movido-se pouco
calmamente viu a silhueta
calmamente lavando a louça
e calmamente houve um breve sorriso
Ele terminou a louça,
mas colocou na panela
encheu até a metade de água,
esqueceu do sal
acendeu o fogo e esperou.
Ele, ligou a TV num dia de feriado
sentou no seu colchonete
que imitava um sofá e perdeu-se por uns minutos,
lembrou, foi lavar a louça.
Ela olhou atentamente a janela
as nuvens tinham movido-se pouco
calmamente viu a silhueta
calmamente lavando a louça
e calmamente houve um breve sorriso
Ele terminou a louça,
E chegou perto dela
Trocaram olhares
A panela apitou
Estavam prontas as batatas
Amassaram as batatas
Colocaram manteiga
Ovos, sal, fogo
Ela mexeu a panela
Ele observava
Purê, pronto.
Ela sorriu para ele
Ele sorriu para ela
Se abraçaram ali mesmo
Era o instante da fuga
E os dois brindaram
O momento
Na eternidade
De um beijo
O purê estava delicioso
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Poematráfico
sou traficante de poesia
e usuário de verso
cada linha que escrevo
é um novo universo
é respiração ação
resistência, diante de um mundo
que dilui em palavras
ódio, desamor, desistência
a cada tragada da pedra do caminho
tenho convulsões líricas machadianas
olho oblíquo, caneta irônica
bilhetes mnemônicos de Garcia
carne podre, e não é de demônios que falo
sim, de palavras pútridas dos Anjos
transcende a glória da luta, versos de Buarque
e procuramos verbete a verbete
significados no Holanda
injeto em mim verbo, meu olho fica vermelho de amor
proibido, vendido, lolita, Basílio,
Vicente, tanto Gogh como o Gil
metamorfoseio incongruências dentro de mim
sou caleidoscópio e maldição
honra, estupidez
acredito na poesia,
pois ela transforma
em ricas palavras
a miséria
é esperança, e remédio
é dor, felicidade, é espanto
poesia é versificar a vida
sem significação
é simplicidade de Quintana
dançando no meio da praça
com seu Sapato Florido
cheirei formas de linguagem
e corri com
vvvvvvvvvv
vvvvvvvvve
vvvvvvvvel
vvvvvvvelo
vvvvvveloc
vvvvveloci
vvvvelocid
vvvelocida
vvelocidad
velocidade
até não me alcançar mais
trafico, uso, retrafico, reuso
o verso, a polissemia,
a tuberculose, a doença
a taquicardia
uso a poesia como substância ilegal
para sair desse mundo de distopia
domingo, 14 de maio de 2017
antes de observar que o tempo diluiu escrevi estes versos

acordei, não abri os olhos.
passou uns minutos, abri os olhos.
olhos fecharam, abri o corpo.
corpo fechou, aí levantei.
lavei o rosto com os olhos fechados, o corpo aberto
e a mente toda inerte
fui a cozinha preparar café.
fervi alma, coei corações
e sorvi desgosto.
aí, já estava de olhos abertos, de corpo fechado
e a mente fluida.
percebi que não tinha aberto as janelas
era escuro, espelho dos meus inversos
escancarei as janelas e entrou luz
e olhei o horizonte todo líquido,
colorido, e cheirando a merda.
fechei a janela, parei minha mente,
encostei o corpo, sorri.
existia uma flor na beirada da pia
e ela não estava lá, existia
e agora, no plano da consciência não existe
só me restava sentar. sentei.
lembrei, ou tentei
puxar das linhas da ausência
o amor.
por fim, percebi, o tempo diluir
tudo o que é sólido
e perdi, o que mais me mantinha vivo
amar.
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